De 34 mil a 196 mil: o salto que transformou Ana Campagnolo em fenômeno eleitoral catarinense

Em apenas quatro anos, a deputada multiplicou sua votação por quase seis vezes. Entender essa curva ajuda a explicar por que 2026 pode trazer um novo recorde.

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A primeira vez que Ana Campagnolo apareceu nas urnas catarinenses, em 2018, ela foi eleita com 34.405 votos. Número respeitável para uma estreante, suficiente para garantir mandato, mas longe da liderança estadual — naquela eleição, o deputado mais votado de SC reuniu o triplo disso. Quatro anos depois, em 2022, a história foi outra: 196.571 votos, 4,91% do total, mais do que o dobro da segunda colocada e o maior número absoluto já registrado para o cargo no Estado. Multiplicar votação por quase seis vezes em um único ciclo eleitoral é raro. Vale entender como aconteceu.

O primeiro fator é geográfico. Em 2018, Campagnolo concentrou seus votos no Oeste catarinense — região em que nasceu e onde construiu carreira como professora de história em Chapecó. Era uma candidatura regional. Em 2022, o mapa mudou: a votação se distribuiu por todas as macrorregiões do Estado, com presença marcante também no Vale do Itajaí, na Grande Florianópolis e no Litoral Norte. Em política, regionalizar bem é fundamental. Estadualizar uma candidatura, sem perder a base original, é uma proeza pouco frequente.

O segundo fator é o capital simbólico construído no primeiro mandato. Ao longo da legislatura 2019-2022, Campagnolo se firmou como uma das vozes mais articuladas do campo conservador na Assembleia Legislativa, com presença ativa em comissões, projetos de visibilidade nacional e enfrentamento direto a pautas da esquerda. Para o eleitor identificado com esse perfil, ela passou de promessa a referência.

O terceiro fator é a infraestrutura digital. Diferentemente da maioria das candidaturas estaduais, a deputada operou — e segue operando — uma comunicação online com escala nacional, herdeira do ecossistema bolsonarista. Em 2022, isso permitiu campanhas paralelas em municípios onde ela nunca havia pisado fisicamente.

Some-se a esses três vetores o ambiente eleitoral catarinense, hoje ainda mais favorável do que em 2022, e o quadro fica claro: o salto de 2018-2022 não foi acidente. Foi construção. E construções costumam continuar de pé na eleição seguinte.

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