O debate público sobre segurança em Balneário Camboriú ganhou contornos mais ásperos entre quarta e quinta-feira. Em entrevista divulgada em vídeo no dia 17, a prefeita Juliana Pavan (PSD) defendeu os investimentos da gestão municipal na área, citou os 170 guardas municipais em atuação e a meta de tornar a Guarda Municipal de Balneário Camboriú a maior de Santa Catarina. Até aí, terreno previsível para quem governa: apresentar números, projetar metas, marcar posição.
O tom mudou quando a prefeita decidiu comparar o atual cenário com sua própria trajetória como vereadora oposicionista, durante o governo Fabrício Oliveira. Segundo afirmou, ela jamais teria feito uma "oposição burra". O recado tinha endereço: o vereador Guilherme Cardoso (Republicanos), um dos parlamentares que mais têm cobrado a prefeitura por respostas concretas na área de segurança pública, reproduzindo na Câmara denúncias de moradores sobre furtos, roubos e sensação de insegurança em diferentes bairros.
A resposta veio rápida. Na sessão da Câmara realizada na mesma quarta-feira, Cardoso subiu à tribuna e devolveu o adjetivo com bastante mais cuidado retórico do que recebeu. Defendeu que classificar a oposição como "burra" equivale, na prática, a chamar de burros também os cidadãos que procuram seus vereadores quando se sentem desamparados pelo poder público. Para sustentar o argumento, exibiu mensagens recebidas de moradores relatando assaltos e reclamando do aumento da criminalidade. "Burro é passar pano para o que está acontecendo na cidade", afirmou — frase que sintetiza, com economia, a função clássica da oposição em qualquer Legislativo: incomodar quem governa quando o serviço público falha.
O episódio tem um aspecto factual que vale destacar. Investimento em segurança municipal é um dado público, auditável, e a prefeitura está coberta de razão ao convidar quem critica a se debruçar sobre as planilhas antes de subir à tribuna. Mas a via inversa também precisa estar aberta.
Quando um vereador leva relatos de eleitores que se sentem inseguros para o microfone da Câmara, ele não está praticando "oposição burra" — está, ao contrário, cumprindo a função pela qual foi eleito.
A discussão sobre segurança em Balneário Camboriú deve continuar nas próximas semanas. Convém que continue, aliás, em tom mais próximo do debate que a cidade merece — e mais distante do vocabulário que ela claramente não pediu.






