De Falcão a Filipe Luís: os catarinenses que jogaram uma Copa do Mundo

Em 22 edições do Mundial, Santa Catarina forneceu seis nomes à Seleção Brasileira — dois deles campeões, um em uma Copa que muita gente esqueceu que ele jogou, e uma cidade que conseguiu a proeza de ter dois.

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De Falcão a Filipe Luís: os catarinenses que jogaram uma Copa do Mundo

Santa Catarina não é, historicamente, dessas terras que abastecem a Seleção Brasileira em série, como São Paulo, Rio ou Minas. Mas, em 22 edições da Copa do Mundo, o Estado cedeu seis jogadores ao escrete canarinho — número modesto na conta, generoso no enredo. A história dos catarinenses em Mundiais tem campeões mundiais, lendas de Telê Santana, uma cidade que cedeu dois nomes ao mesmo posto, e a curiosa lacuna recente: desde 2018, nenhum filho do Estado vestiu a amarelinha em Copa. Vale a recapitulação.

O primeiro nome da lista é o do meia Mengálvio Pedro Figueiró, nascido em Laguna, no Sul catarinense. Convocado para a Copa do Chile, em 1962, integrou o elenco bicampeão mundial sob o comando de Aymoré Moreira. No Santos, formou com Pelé, Coutinho, Dorval e Pepe um dos ataques mais memoráveis já organizados em uma camisa só. Fica como curiosidade que o pioneiro catarinense em Copas seja, hoje, um dos menos lembrados nas conversas de boteco.

Oito anos depois, na Copa de 1970 no México, surgiu Ado — Eduardo Roberto Stinghen, goleiro nascido em Jaraguá do Sul. Reserva de Félix no time tricampeão, não entrou em campo no torneio, mas leva no currículo a posse legítima do título e o detalhe biográfico de ter sido o "goleiro-galã" do Corinthians, num período em que o clube paulista colecionava boas atuações dele e ausência total de troféus.

Em 1974, na Alemanha Ocidental, o representante catarinense foi o ponta-direita Valdomiro Vaz Franco, nascido em Criciúma e ídolo histórico do Internacional, clube pelo qual disputou mais de 800 jogos. A campanha brasileira terminou em quarto lugar — resultado decoroso, embora o Brasil de 1974 raramente apareça nas listas afetivas dos torcedores.

A década de 1980 foi a mais catarinense da história em Copas. Paulo Roberto Falcão, do longínquo Abelardo Luz, no Oeste, disputou as Copas de 1982 e 1986 com a camisa 15, integrando aquele meio-campo de Telê Santana que muita gente ainda hoje considera o mais elegante já reunido em um time. Em 1986, no México, Falcão dividiu o vestiário com outro catarinense estreante: Valdo Cândido de Oliveira Filho, meia de Siderópolis, no Sul do Estado. Convocado de última hora aos 22 anos para substituir Toninho Cerezo, Valdo voltaria à Copa em 1990, na Itália, completando duas participações antes de uma carreira de glórias em Benfica e PSG.

Foi preciso esperar 28 anos para o nome seguinte. Em 2018, na Rússia, o lateral-esquerdo Filipe Luís, também nascido em Jaraguá do Sul, fechou — por enquanto — a lista. Atuou contra a Sérvia, na fase de grupos, e foi titular nas oitavas contra o México. A coincidência geográfica colocou Jaraguá do Sul como a cidade catarinense que mais contribuiu para a Seleção em Copas: duas participações, duas posições diferentes.

Em 2022 e em 2026, Santa Catarina ficou de fora da convocação. Pode ser apenas um intervalo. Pode ser sintoma de algo mais estrutural na formação de jogadores no Estado. Os clubes catarinenses, em todo caso, têm contribuído — Maicon e Ramires, embora não tenham nascido em SC, foram revelados aqui antes de chegarem a Mundiais. Mas a categoria "nascidos em terra catarinense" segue parada nos seis. O próximo, quem quer que seja, terá uma vaga aberta na história.

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