Ancelotti contrariado, Brasil ansioso: a estreia que ninguém quis comemorar

Empate em 1 a 1 com Marrocos no MetLife Stadium expôs um técnico de poucas palavras, um time tenso no primeiro tempo e um discurso bem ensaiado nos vestiários — o da ansiedade como vilã da noite.

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Ancelotti contrariado, Brasil ansioso: a estreia que ninguém quis comemorar

Há derrotas que doem menos que certos empates. Foi mais ou menos esse o sentimento que escapou pelas frestas da seleção brasileira neste sábado (13), em East Rutherford, depois do 1 a 1 com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo de 2026. O placar até ficou justo. A cara de Carlo Ancelotti, nem tanto.

O italiano deixou o gramado do MetLife Stadium com a expressão de quem provou um vinho que prometia mais.

Na rápida entrevista ainda no campo, foi econômico no idioma e generoso na franqueza: o primeiro tempo não tinha sido um bom jogo, o segundo havia melhorado, e o Brasil precisava melhorar. Ponto. Quem esperava reticências diplomáticas escolheu o treinador errado.

Em coletiva, Ancelotti elaborou — mas pouco. Reconheceu que a equipe entrou em campo "um pouco preocupada", perdeu duelos demais, sofreu com as transições marroquinas e demorou para encontrar controle. Quando perguntaram se a ansiedade tinha atrapalhado, ele concordou sem hesitar.

Não estou satisfeito com o resultado. Devemos trabalhar para melhorar.

"Não estou satisfeito com o resultado. Devemos trabalhar para melhorar", afirmou, num tom que misturava o pragmatismo de quem já levantou 29 troféus na Europa com a impaciência de quem não está acostumado a pontuar com sustos.

A tese da ansiedade, aliás, ganhou eco imediato no vestiário. Bruno Guimarães, num discurso quase carimbado pela comissão técnica, repetiu a fórmula: o time esteve "mais nervoso do que o normal", o peso da estreia falou mais alto, mas "muita coisa está por vir". Há quem ache pouco para uma seleção pentacampeã; há quem ache prudente, considerando que o Marrocos da Copa anterior chegou às semifinais e, neste sábado, mostrou que continua incômodo de enfrentar.

Os fatos do jogo ajudam a entender o mau humor. Saibari abriu o placar aos 20 do primeiro tempo, aproveitando vacilo da defesa. Vini Jr. respondeu aos 31, com um daqueles golaços que servem tanto para empatar a partida quanto para empatar a narrativa — sem ele, a conversa do pós-jogo seria bem mais áspera. O Brasil melhorou na etapa final, é verdade, mas não o suficiente para furar a organização marroquina, que terminou a rodada à frente da seleção nos critérios de desempate do Grupo C.

Ancelotti recusou-se a comentar atuações individuais, em especial as escolhas de Ibañez, Douglas Santos e Igor Thiago entre os titulares. Preferiu encerrar com uma frase que soou metade conforto, metade aviso: "Copa do Mundo não se ganha no primeiro jogo." Verdade indiscutível. Também é verdade que não se ganha empatando com todo mundo.

O próximo capítulo vem na sexta-feira (19), na Filadélfia, contra o Haiti — em tese, o adversário mais acessível do grupo. Em tese.

A seleção tem uma semana para deixar a ansiedade no hotel e descobrir, enfim, o que pretende ser nesta Copa.

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