A chegada de Carlos Bolsonaro à corrida pelo Senado por Santa Catarina foi vendida como movimento de força: o sobrenome mais identificado com o bolsonarismo aterrissando no Estado mais bolsonarista do país. Passadas algumas semanas de pré-campanha e algumas pesquisas, porém, uma leitura alternativa começa a ganhar tração nos bastidores políticos: a de que o principal beneficiário do "Carluxo em SC" pode acabar sendo, ironicamente, Esperidião Amin.
A tese parte de um piso já consolidado.
Amin carrega há décadas um eleitorado fiel que, mesmo sem campanha, costuma se aproximar dos 10% do total de votos.

A partir desse alicerce, o cenário ganha camadas. A estratégia de parte da militância digital alinhada a Carlos Bolsonaro para abrir espaço ao recém-chegado tem sido atacar o antigo aliado — chamando Amin de "velho", de "esquerdista", de figura ultrapassada. Em Santa Catarina, onde o ex-governador é tratado como mobília histórica do Estado, o resultado tem sido o oposto do pretendido: irritação com o que muitos eleitores leem como invasão carioca e um reflexo de "defender o que é nosso".
Some-se a isso o tabuleiro institucional. Empurrado para a beirada pelo PL, Amin costurou aliança com PSD e MDB e absorveu boa parte do apoio do centro catarinense — prefeitos, vereadores, lideranças regionais. Esse movimento, sozinho, projeta o senador para algo em torno de 20% das intenções, segundo a leitura que circula nos bastidores.
Há ainda um ingrediente menos óbvio: o voto útil da esquerda. Nas rodas petistas, comenta-se que parte do eleitorado de Lula em SC tende a usar o segundo voto para senador como antídoto ao "pior cenário" — e, neste caso, "pior cenário" atende pelo nome de Carlos Bolsonaro. Amin entra como o mal menor, alguém com quem a esquerda já cruzou trincheiras, mas que parece preferível ao invasor.
Esse fluxo poderia empurrar o veterano para a casa dos 30%.

A conta, claro, é projeção e não pesquisa formal. Mas há outros vetores que pressionam a chamada "chapa pura" do PL — formada por Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Dentro do próprio bolsonarismo catarinense, parte da base resiste ao desembarque do filho do ex-presidente, e cresce o desconforto com a postura da deputada federal, lida por aliados como subserviente ao concorrente que disputa exatamente a mesma vaga.
Há ainda os outsiders. Jeferson Rocha, se radicalizar o discurso à direita com viés regionalista, pode deteriorar a chapa do PL. Antídio Lunelli, do MDB, com perfil bolsonarista mais palatável, tende a abocanhar pedaços do mesmo bolo.
O quadro que se desenha, então, é peculiar: enquanto Amin caminha para liderar com folga, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni podem acabar disputando entre si a segunda vaga — e ainda precisarão superar a candidatura do PT, que deve orbitar perto dos 25%. Na política catarinense, escorraçar um veterano costuma sair caro. Insistir no método costuma sair mais caro ainda.


