Recordes de votação para deputado estadual costumam ser locais, regionais ou ligados a momentos eleitorais muito específicos. Em Santa Catarina, eles têm seguido uma curva ascendente nas últimas décadas, acompanhando o crescimento populacional e a politização do eleitorado. Conhecer essa linha de tempo ajuda a entender o tamanho da marca atual de Ana Campagnolo (PL).
Antes do recorde de 2022, a posição de deputado estadual mais votado da história catarinense pertencia a Gelson Merísio, então no PSD. Em 2014, Merísio foi reeleito com 119.280 votos — número expressivo, fruto de uma máquina política sólida construída entre o Oeste e a Grande Florianópolis e da posição estratégica que ocupava como presidente da Assembleia Legislativa. Era a votação mais alta já obtida para o cargo no Estado.
Antes dele, a referência era Antônio Ceron, do PSDB, que havia sido o deputado estadual mais votado nas eleições de 2002 e 2006, com votações que orbitavam entre 70 mil e 90 mil votos — números considerados altíssimos para a época. Antes ainda, em ciclos anteriores, lideranças regionais como Vasco Furlan e Onofre Santo Agostini alcançaram patamares semelhantes em seus respectivos picos eleitorais.
A curva mostra um padrão: o recorde da década de 1990 era da casa dos 50 mil votos. Nos anos 2000, subiu para perto dos 90 mil. Em 2014, ultrapassou a barreira dos 100 mil pela primeira vez, com Merísio. Em 2022, com Campagnolo, saltou para a casa dos 200 mil — quase dobrando a marca anterior em um único ciclo.
É esse salto que torna o número de 2022 particularmente difícil de processar em perspectiva histórica. Não foi um avanço gradual sobre o recorde anterior, como costuma acontecer em séries eleitorais. Foi uma ruptura de escala. Ana Campagnolo não apenas bateu o recorde — ela criou um novo patamar.
Em 2026, o teto a ser superado, portanto, não é apenas o número absoluto. É o desafio de bater uma marca que, há quatro anos, parecia inatingível para qualquer um. Inclusive para ela mesma.




