É comum ouvir, nos círculos de política pública, que Santa Catarina é um modelo a ser seguido. E há razões para isso: o estado apresenta consistentemente índices elevados de desenvolvimento humano, equilíbrio fiscal relativo e indicadores de saúde e educação superiores à média nacional.
Mas há também uma tendência de simplificação que precisa ser contestada. Santa Catarina não é uma fórmula mágica. É um estado com contradições, desigualdades regionais significativas e desafios que o discurso do sucesso frequentemente obscurece.
As desigualdades invisíveis
O litoral de Santa Catarina — Florianópolis, Balneário Camboriú, Itapema — concentra a maior parte da riqueza, da infraestrutura e dos serviços do estado. O Oeste catarinense, historicamente ligado à agroindústria, apresenta indicadores sociais bem abaixo da média estadual, especialmente em municípios menores da fronteira com o Paraná.
Quando falamos de Santa Catarina como modelo, precisamos perguntar: modelo para quem? Para o litoral ou para o interior? Para os que já chegaram ou para os que ainda estão chegando?
Cientista político da UFSC
O grande desafio de Santa Catarina nos próximos anos será distribuir geograficamente os ganhos do crescimento, garantindo que o sucesso econômico do litoral se converta em melhores condições de vida para todas as regiões do estado.


