A mudança, que à primeira vista poderia parecer um recuo estratégico pelo tamanho da nova legenda no estado, ganha contornos de um experimento político interessante sob a ótica da nova dinâmica eleitoral, onde a máquina tradicional divide espaço com o engajamento digital orgânico.
O principal trunfo de Beatriz Borba para furar a bolha regional da Grande Florianópolis e se viabilizar em um pleito federal altamente competitivo é sua habilidade natural com as redes sociais. Em um cenário onde o eleitor de direita busca conexão direta e sem intermediários, a vereadora consegue traduzir o debate institucional em uma linguagem dinâmica, pautada pelo imediatismo dos algoritmos. Esse capital digital ganha ainda mais musculatura com suas conexões nacionais, destacando-se a proximidade com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos maiores puxadores de voto do conservadorismo no país. Essa aliança atua como um selo de legitimidade perante o eleitorado mais ideológico, compensando a ausência de grandes palanques municipais.
Por outro lado, o desafio da candidatura reside justamente na estrutura do NOVO em Santa Catarina. Com tempo de TV reduzido se comparado às supercoligações, o partido exige que seus candidatos operem de forma cirúrgica. Para competir pelas vagas em Brasília, Beatriz precisará transformar curtidas em votos geolocalizados em cidades-chave do estado, superando o pragmatismo do eleitor que costuma optar por legendas com maior capacidade de entrega de emendas. O desfecho dessa campanha indicará se o NOVO encontrou uma nova fórmula de competitividade baseada no carisma digital ou se as velhas barreiras estruturais da política catarinense ainda ditam o resultado das urnas.






