Os bastidores da sigla fervem com a certeza de que a disputa interna para compor a lista de candidatos a deputado federal será um verdadeiro teste de sobrevivência. Com um excesso de nomes de altíssima relevância e densidade eleitoral, a legenda enfrenta uma matemática implacável — há muito mais candidatos viáveis do que vagas disponíveis no quociente partidário e na própria legislação eleitoral.
O fator dinástico e a chegada do "04"
A fervura da disputa subiu de tom após o anúncio oficial da pré-candidatura de Jair Renan Bolsonaro à Câmara dos Deputados. Eleito vereador mais votado de Balneário Camboriú, o "04" entra no tabuleiro respaldado por uma missão direta dada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para dar continuidade ao legado político do clã. A presença de um herdeiro direto da grife Bolsonaro na nominata altera completamente o cálculo de quociente eleitoral, operando como um potencial "puxador de votos" que, se por um lado ajuda o partido a somar uma grande legenda, por outro, ameaça sufocar candidatos tradicionais que dependem de votações nominais pulverizadas.

A força dos mandatos e as novas apostas
Além do peso do sobrenome presidencial, o PL catarinense conta com nomes que já possuem forte recall e musculatura estabelecida.
A deputada federal Julia Zanatta, uma das principais vozes da bancada conservadora em Brasília, vai para a reeleição amparada por uma militância digital agressiva e forte inserção no setor armamentista e produtivo.

Correndo pelas alas mais independentes da estrutura partidária tradicional, despontam figuras de forte apelo ideológico e renovação, como Manu Vieira, que vem pavimentando espaço com pautas liberais e de desburocratização, e Fernando Cordeiro, peça articuladora que busca consolidar bases regionais importantes.
Somando-se ao peso do secretariado e de lideranças vindas do Executivo, o atual Secretário de Estado da Segurança Pública, Sargento Lima, traz o recall do eleitorado militar e da segurança pública — uma das bandeiras mais caras ao eleitorado de direita do estado.
O teto legal e a matemática que não fecha
A grande dor de cabeça do governador Jorginho Mello, que preside a sigla no estado, é acomodar os interesses sem gerar crises institucionais.
Pela legislação eleitoral vigente, cada partido pode lançar apenas o número de vagas totais da bancada do estado na Câmara Federal (16 cadeiras) mais um.
O problema é que a lista de interessados e com real potencial de ultrapassar a barreira dos 80 mil votos passa facilmente de duas dezenas.
A conta simplesmente não fecha. Figuras com mandatos consolidados e votações expressivas correm o risco de ficar de fora da chapa principal devido à limitação legal de vagas para a disputa.
Essa "dança das cadeiras" prematura exige da Executiva do PL uma engenharia política milimétrica para evitar que o excesso de vaidades e o fogo amigo implodam a unidade partidária antes mesmo do início oficial da campanha.
Santa Catarina continuará sendo o porto seguro do conservadorismo, mas, para os candidatos do PL, a maior batalha eleitoral de suas carreiras começará muito antes da abertura das urnas: será dentro das convenções do próprio partido.






