Os bastidores do Partido Liberal (PL) em Santa Catarina vivem dias de intensa ebulição e forte divisão interna.
As duas deputadas federais mais votadas da ala conservadora no estado, Caroline de Toni e Júlia Zanatta, travam uma disputa velada pelo protagonismo político nas bases municipais. O embate silencioso ocorre longe dos holofotes públicos, mas já provoca fissuras evidentes nos diretórios do interior catarinense.
O ponto central do conflito é a corrida para definir quem detém a "verdadeira representação" do bolsonarismo em solo catarinense. Ambas possuem forte apelo popular e proximidade com a família do ex-presidente, o que as coloca em rota de colisão direta na busca pelo apoio de prefeitos, vereadores e lideranças regionais que tentam pavimentar suas próprias candidaturas no estado.
Nos municípios do interior, a polarização interna força os diretórios locais a escolherem um lado nessa queda de braço. De um lado, aliados de Caroline de Toni buscam consolidar sua forte influência parlamentar; de outro, defensores de Júlia Zanatta articulam uma expansão agressiva de sua base eleitoral. Essa divisão tem gerado impasses na definição de estratégias conjuntas do partido.
A cúpula estadual do PL tem feito esforços nos bastidores para tentar abafar o racha e manter a imagem de unidade partidária intacta. Caciques da sigla temem que a rivalidade interfira diretamente no desempenho das eleições e no alinhamento da bancada conservadora, mas o clima de desconfiança mútua entre os grupos das parlamentares continua a ditar o ritmo das articulações.
À medida que os prazos partidários se aproximam, a tendência é que os movimentos de lado a lado fiquem ainda mais evidentes. O desfecho dessa disputa interna não apenas definirá os rumos do PL no interior, mas também redesenhará o mapa de forças da direita catarinense na Assembleia Legislativa e nas principais prefeituras do estado futuramente.






